"E quem diria quem mais doeu foi quem mais achava
Engole o tempo que esquece e me faz rir
Engole o tempo e manifesta o meu alívio
Pode se esconder embaixo de lâmpadas que estão queimadas
E se fugir do meu inferno faz melhor
Que vá e demore."
Madame Saatan.
domingo, 26 de julho de 2009
Ele queima, ela sorri;
Postado por Nathalia às 19:39 0 comentários
domingo, 19 de julho de 2009
"Não sabia de onde vinha aquele maldito hábito que costumava assaltar-lhe certas noites. Ficava remoendo lembranças e a sensação que tinha era que aquilo pouco a pouco a envenenava. E a cada dia que passava ficava mais nítido que aquele lugar a fazia mal; ela sabia, ela sentia... Estava por um triz."
Postado por Nathalia às 17:56 0 comentários
quinta-feira, 16 de julho de 2009
Era a sua vida, sua própria vida. O que fizera com ela?
Era difícil pensar naquilo, difícil aceitar que se estava daquela forma, a culpa era somente dela, de mais ninguém. Era mais fácil culpar aos pais que nem sempre lhe faziam as vontades, aos amigos que estavam longe ou mesmo ao “destino cruel que sempre conspirava contra ela”.
Diabos, quando pararia de “apoiar” sua vida nos outros? Quando acordaria e passaria a fazer as coisas em prol de si mesma, pelo seu próprio bem? Quando criaria vergonha na cara para assumir que não era mais uma criança de colo e que se precisava de ajuda, teria que ela mesma ter forças para ajudar-se e não mais ficar esperando pelos outros? Não sabia. Parava para pensar até praticamente enlouquecer; as noites de sono foram embora, há tempos não sabia o que era dormir decentemente, no entanto, nunca conseguia chegar a uma conclusão. Era desesperador.
Vivia lembrando episódios passados; festas, sempre muitas festas, muita gente, muito álcool. Nunca a encontravam em casa, quando encontravam, ela já estava de saída. Se àquela época alguém lhe perguntasse se ela gostava de sua vida, se estava feliz com ela, provavelmente diria que sim. Contentava-se com pouco; se estivesse com os amigos, qualquer lugar estava bom, mesmo que fosse a praça pacata da cidadezinha onde vivia; qualquer coisa, por mais banal que fosse era motivo de festa, farra, comemoração.
Mas atualmente ela olhava para trás e perguntava-se o que realmente fora tudo aquilo. Na verdade, hoje ela via que tudo aquilo fora uma fuga, uma válvula de escape. Por trás daquela garota forte, que não se preocupava com nada a não ser farra e diversão, existia outro alguém que poucos além dela conheceram e mesmo estes, acreditavam que aquele “outro alguém” não mais existia; ela mesma chegou a pensar nisso, mas agora se dava conta de que tudo não passara de uma ilusão estúpida de adolescente. Pudera, ela só tinha 15 anos.
Aquele “alguém” nunca a abandonara e agora, cada vez mais ela percebia que isso disputava sua vida com ela mesma, como se quisesse dominá-la de uma vez e pior, ela não sabia mais como evitar. E o grande problema disso tudo era que ela custava a reconhecer; não queria admitir para si mesma que ela era um ser humano e como tal, tinha seus momentos de fragilidade. Não queria, não podia, era orgulhosa, orgulhosa consigo mesma; “hipócrita! A quem você pensa que engana sua idiota?”
O peito doía, queimava em uma espécie de nostalgia horrorosa; uma dor absurda chegava ao ponto de quase sufocá-la; uma dor diferente de tudo o que já sentira; uma dor que não era dor, a angústia. E por mais que tivesse vontade, por mais que soubesse que precisava não se permitia desabafar. Chorar, nem pensar; antes só o fazia sozinha, hoje nem isso. Chorar era patético, coisa para fracos e isso ela não era de jeito nenhum.
As festas deram lugar aos livros, que passaram a ser seu refúgio e ela adquiriu responsabilidades. Não que antes fosse irresponsável, isso nunca; sempre fora uma pessoa responsável e sempre tivera um respeito enorme por todas as pessoas ao seu redor, mesmo quando em algum acesso de fúria dizia que “estava pouco se fodendo para aquele bando de chatos que só sabiam pegar no pé dela falando merdas e lhe dizendo o que fazer.”
O fato é que tudo acontecera rápido demais. As férias de verão começaram logo após a formatura e quando voltara de viagem percebera finalmente que sua vida dera uma guinada, um giro absurdo de 360 graus e ela se via sozinha, com uma “nova vida” esperando por ela; responsabilidades bem maiores do que as que ela estava acostumada, caíram de repente no seu colo e aquilo era assustador. Estava confusa demais para formar um raciocínio lógico; esperara tanto por aquilo e quando finalmente alcançara, a única vontade que tinha era largar tudo e sair correndo. Era como se tivessem lhe tirado o chão.
Mesmo assim seguiu adiante. Mesmo a vida tendo lhe dado patadas aos montes, ela não desistiu; levantava-se todos os dias mesmo sem ter vontade e cumpria com todos os seus deveres. Perdera as contas de quantas vezes chegara a desejar a própria morte, mas nunca tivera coragem para tal. “Covarde!” a palavra ecoava na sua cabeça e ela não conseguia evitar ficar se martirizando; não importava o quanto se esforçasse, sempre decepcionava as pessoas, sempre decepcionava a si mesma. “Fracassada.”
No fundo, apesar de tudo, sabia que o que a empurrava para frente era o fato de que no seu sub-consciente, de alguma forma ainda brotava uma ponta de esperança, mesmo sendo evidente que já não tinha mais forças para ir adiante.
Fora um ano tenebroso. Olhava-se no espelho e via que perdera de vez o gosto pela vida, perdera a vontade; estava se entregando, desistindo de si mesma. O reflexo no espelho não era mais ela, não era o seu “verdadeiro eu.” Perguntava-se onde havia parado, onde havia se perdido de si mesma, ou melhor, se por ventura, algum dia tinha ao menos se encontrado, já que quando olhava para trás, por mais que tentasse sua visão nunca era diferente; sentia-se uma mentirosa, alguém que só fizera enganar a si mesma desde sempre; sua vida definitivamente era uma farsa.
Dava-se conta de que passara a conviver com uma estranha; “quem era ela mesmo?” Não sabia. Ainda de frente para o espelho (“Quanto tempo passara ali? 15, 20 minutos? Meia hora?”) observava o reflexo pálido e com olheiras roxas; os olhos estavam apagados, as sobrancelhas por fazer e o cabelo despenteado. Dava-se conta, por fim, que talvez aquela que a olhava com reprovação naquele momento, não era exatamente uma estranha, mas sim aquele “outro alguém” de anos atrás. O vazio. Era ele que estava ali com ela todos os dias; sempre esteve e ela nunca conseguira preenchê-lo; tentara de todas as formas, mas nunca obtivera sucesso, então optara por fingir que conseguia ignorá-lo, anestesiando-se com festas, bebida e outras coisas superficiais. Mas aquele tempo havia passado, ela crescera, não havia mais lugar para esse tipo de coisa em seu mundo; daí aquela sensação de estar sozinha e sem chão. A vida inteira se camuflara atrás de uma “máscara de garota feliz” e agora via que de fato nunca estivera bem, nunca fora realmente uma “garota feliz.” E agora como faria? Não sabia, sentia-se completamente perdida. Sabia que precisava mudar, precisava lutar, precisava “sair do casulo” e finalmente encontrar-se, mas como? Olhava ao redor e só conseguia ver o caos que construíra ao redor de si. O que fizera de sua vida?
Escrito em 29/06/2009.
Postado por Nathalia às 17:55 1 comentários
terça-feira, 14 de julho de 2009
Saudade;
As coisas não tem mais a mesma graça sem você por aqui.
"In my dreams I can see you, and tell you how I feel
In my dreams I can feel you, and it feels so real
In my dreams I can see you, and tell you how I feel
In my dreams I can hold you, and I wake so alone."
Norther - Omen
Postado por Nathalia às 15:17 0 comentários
sábado, 11 de julho de 2009
"E essa é mais uma daquelas noites que ela vai sair por aí buscando anestesiar seus demônios em algumas doses daquele líquido mágico que desce-lhe goela abaixo queimando como o inferno, mas levando-a em segundos direto para o paraíso. É mais uma daquelas noites que ela sabe que vai encontrar pessoas que ela realmente ama e dar algumas risadas com elas, mas no fim da noite vai estar sozinha sentindo aquele velho gosto amargo que vem logo após o fim do efeito psicodélico. E o líquido que ela tanto adorava passa a ser seu pior inimigo... Pelo menos até o dia seguinte."
Postado por Nathalia às 22:19 1 comentários
sexta-feira, 10 de julho de 2009

Lá vai a Nathalia fazer outra dessas bostinhas... Bem... Vejamos se dessa vez não abandono. (Y)
"Off to the new life, I live on death;
You're leaving me all through the night;
If he's born again, I need you to find, need you to find where he is."
Silverchair - Faultline
Postado por Nathalia às 21:46 5 comentários
